Um velho brincava com uma bola de gude.
O velho já era sábio. Morreria logo, e sabia o bastante para não se preocupar nem ter medo ou tristeza.
Ainda assim, ele lamentava.
A bolinha de cores foscas dançava pelos dedos de uma mão agora trêmula, de pele manchada.
E o velho, refletido na superfície lascada da pequena esfera, refletia sobre esquecer.
Outrora, sua mão era firme. Sua coluna, reta. Então, ele lançava esta mesma bolinha de gude... e com uma curva elegante na poeira, ela tirava outra do jogo.
E outra.
E outra.
Hoje, ele sabe que não conseguiria fazer isso, nem mesmo no carpete onde sua poltrona repousa. Um dia ele soube como, e pôde. Hoje, ele esqueceu.
"Não se pode ensinar tudo o que se sabe", ele pensa, suas pálpebras pesadas. "Pois esquecemos o que se sabe... sem saber como."
Sorrindo, ele fecha os olhos... e a bolinha de gude cai de sua mão, quicando duas vezes antes de rolar para longe, em uma curva elegante.
Em outro lugar, alguém se lembra.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Brizomante
Era uma mulher triste.
Sempre sorrisos. Muito triste.
Mas ela não sabia de sua tristeza. E assim, continuava sorrindo.
Um dia, ela dormiu. Ela sonhou.
No sonho, havia um rei. Ele não era bom. Nem era cruel.
Mas era o rei. E fazia valer sua vontade.
No sonho da mulher, a vontade do rei era a verdade.
E o rosto dela, em seu sonho, era sofrido. Sem sorrir.
Ela sonhou. Ela chorou.
O rei, satisfeito, a deixou ir.
Hoje, ela sorri novamente.
Mas nem sempre.
Não sempre.
Sempre sorrisos. Muito triste.
Mas ela não sabia de sua tristeza. E assim, continuava sorrindo.
Um dia, ela dormiu. Ela sonhou.
No sonho, havia um rei. Ele não era bom. Nem era cruel.
Mas era o rei. E fazia valer sua vontade.
No sonho da mulher, a vontade do rei era a verdade.
E o rosto dela, em seu sonho, era sofrido. Sem sorrir.
Ela sonhou. Ela chorou.
O rei, satisfeito, a deixou ir.
Hoje, ela sorri novamente.
Mas nem sempre.
Não sempre.
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