quarta-feira, 19 de junho de 2013

Mea Culpa

Um dia como outro qualquer, e um carinha como outro qualquer acorda.

Rotina diária. Rota: porta-elevador-rampa-rua.

Ordinário. Regular. Como outro qualquer.

A rua se molda. Percepção deleta prédios, e deixa apenas um mercado, uma escola, um banco.

E a Cidade fala com o carinha. Diferente de outras vezes, desta ele escuta.

A Cidade disse "oi".

Ele responde "oi", mas em sua cabeça, ele falou de outra forma. 

Percepção deixa um viaduto aparecer. Atrás dele, prédios altos e uma rua larga. Ainda mais além, o sol nascendo.

Lindo.

O carinha se desculpa. Ele diz à cidade "Eu te amo...", e ela responde "Eu também!", antes que ele possa completar com "...mas o seu povo é difícil."

E a Cidade mostra que o povo e ela são indivisíveis. Ela pede para que não se destrua mais partes dela; já existem remendos o bastante. Ainda assim, ela está feliz. 

Um prédio se desvia por uma esquina, e a rua aparece de surpresa, sorrindo, mais estreita agora. O sol brilha, ignoto, atrás de nuvens em um dia um pouco mais frio que outro qualquer. 

O carinha admira aquele sol escondido. Esperança é como o sol que não se vê, mas mostra luz ali mesmo. 

Com um clichê na cabeça, e um pouco mais de alegria no coração, o carinha chega em uma praça, e vê, do outro lado, o bar e o prédio que a percepção deixou escapar.

A Cidade falou. Ele ouviu. E diante de si, ele mostra como pode as palavras dela. E promete lembrar que o povo é a carne e o sangue da cidade.

Que venha o próximo papo.