segunda-feira, 10 de março de 2025

A mesma história

 O passar das décadas e o tempo imperceptível,

 noção apenas do que veio, 

existência em um passado real em memória 

 e registro fugaz.

Uma certeza, um temor/esperança

 para o futuro invisível/predito/repetido.

Tanto fica para trás sem nunca sair do lugar.

Tanto não realizado a frente (e ainda assim, pronto).

Idade, poesia, sonhos,

de tempos idos e nunca mais.

Muito se deixa, nada levado (em silêncio).

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Hand held

 

There was a man, looking at a crossroad. 
 
He did not walk, but stood, and watched, hand up, as a beggar would.
 
As people crossed, ignoring him, he kept there, still.
 
Once, someone asked: "Why do you wait to cross? Do you hope to get something from those who pass?"
 
"I do not", he replied.
 
 "I offer my hand to those who need help crossing their way of choice."

terça-feira, 13 de abril de 2021

Sílaba Platônica

 

O poema que vem à mente, perfeito em cada sílaba,

teme, em seus versos, a mutilação do poeta.

A alma que encarna, o sentimento que é dito,

distante to ideal.

Cada letra, cada verso, estrofe e rima,

reduz a poesia às palavras do escrito-cantado-lido.


Cada leitura sem emoção, uma violência,

contra aquela perfeição inicial que cai no mundo,

(sacrifício auto inflingido),

pela beleza que talvez um dia

alcancemos.

O poema perfeito, 

dito no olhar-lágrima-sorriso, 

nos espera quando prontos.

Além.

sábado, 6 de março de 2021

Encarnações

 O poema (como se lê) 

é o corpo de uma idéia (bem?) arrumada

de um sentimento que mostrou o rosto.

Lugar de fala

 Sobre mulheres:


Mulher é...

(Aqui me calo, 

como homem,

e como homem,

ouço)

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

U.A.

 Em oito minutos, 

um olho testemunha 

seu reflexo.

Há dezesseis minutos,

olhou.

Um flash, nos ventos.

Corona.

Toda uma face

se ilumina.

Atrás dela, 

como Jano,

outra face,

obscura,

em grande parte,

dorme.

Oito minutos

para o olhar.

Oito minutos

para o refletir.

O observador

(que olha em todas as direções)

reflete.

Sua reflexão

é reflexo de si mesmo

nos mundos,

em pequenos

diminutos

olhares,

aos bilhões,

de dia?

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Mundo oposto

A Terra ao avesso era um planeta luminoso.

Impossível. Estranho.

Sua camada externa brilhava como ouro em meio à desolação vazia do espaço.

Pois o que estava em contato com o vácuo era metal líquido, fervente ao ponto de brilhar.

Abaixo (ou rumo ao centro, como puristas preferem), um manto de minérios em ebulição, que ocasionalmente irrompiam para dentro, rompendo a camada sólida que formava a crosta interna do mundo oco.

Bem lá dentro, no centro do planeta, continentes e mares circundavam um núcleo atmosférico.

Rico em flora e fauna, com alta tecnologia, esse povo diferia de nós em alguns pontos chave:

1- eles enxergavam através do espectro que a escuridão refletia, e por isso sabiam que a luz era nociva a seus olhos. Sabiam também que escuro não é ausência de luz, apenas outra forma, que se estendia pelo infinito, com suas próprias partículas e comprimentos de ondas. Sabiam também que era mais seguro enxergar pela escuridão. Afinal, ninguém fica cego sem ser exposto a luz excessiva. Logo, a luz era perigosa. Todos sabiam disso.

2- eles eram um só povo; quando seu horizonte se curva para cima, ele não separa dois povos, apenas mostra onde eles estão. E se o seu povo enxerga outro no céu, então para eles, o seu povo também é celestial. É melhor dar um bom exemplo... não há, no fim das contas, onde se esconder.

3- esse povo, como seu planeta, se desenvolveu para dentro; por fora eles metaforicamente brilhavam (nunca literalmente... isso seria perigoso para os outros... a luz cega, lembra?), e por dentro, eram cheios de vida, conhecendo e olhando para si mesmos, sem explorar o que estava fora. Cada um outro era um horizonte, um potencial habitante do céu (e o céu era onde todos moravam, para um outro alguém). E cada um era protegido do vácuo e do frio por intenso calor humano.