terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Dia de verão

Multidão que pega um qualquer,
fagocitado,
andando sem linha,
suado,
por ruas que sufocam
(árvores da infância,
onde estão que não
em sonhos, refrescando
memórias de ventos que vinham
e vêm,
e frutas que caem),
o solitário.

Sol inclemente,
olhos cerrados,
testa franzida,
carros,
buzinas,
um alguém,
xinga a outro,
por um elevador um instante
atrasado:
imprecações que ecoam
em corredor vazio.

(Nostalgia,
eis você,
dourando tempos
cinzentos,
tornando o azul
odioso,
e nuvens hostis
em graça.)
Retorno
assim.