segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Eternidades

Pensando no futuro, desespero.

Pensando no passado, sofro.

Pensando no presente, enlouqueço.

Pensando em sonhos, vivo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Toda a vida

"Segue essa rua toda a vida."
Apenas uma frase inócua.
Pessoas falavam, oitenta anos depois,
de um velho de pele ressecada,
olhos fundos em arregalar esgazeado,
que balbuciava essa frase sem cessar,
em voz arranhada,
caminhando trôpego pela calçada semi-pronta.

Décadas após, o pavimento já rachado,
e rumores ocasionais mencionavam
uma sombra, vista apenas na periferia
do olhar, e de uma voz que vinha de longe,
como eco a virar a esquina mais afastada.

O hoje nos separa por séculos da rua sem asfalto,
onde a frase foi ouvida por aquele rapaz.
Não se fala, nem em rumores, dele, de homem,
de velho, de morto ou de sombra. Mas às vezes
(o jornaleiro jura), quando lhe perguntam aonde ir,
ele responde, simplesmente: "Ah, segue essa rua
a vida toda."

Como se em lamento, a rua emite um vento,
murmurando a vida
que ali seguiu...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Assim como nascer

Uma viagem no tempo,

no pôr do sol

(assim como nascer):

Oito minutos no passado,

olhos que vêem

observam.

A cada dia,

o passado

é testemunhado,

átimo,

átomo,

ótimo (?)

em luz que chega

depois da ação,

atrasada,

pensamento que se forma

depois da luz,

vista,

reação que se projeta

antes da luz,

da ação

(do pensamento)

que age futuro

presente do passado

que será.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

uat

Hey, man, whazzup?

"Up" is a preposition.

No, I mean, what's up with you?

Oh. "What's Up".

Yeah.

No, "What's Up" is up with me.

What?

"... 's Up".

No, I mean, what's'dat?

"What's Up"?

Yeah.

Itzanapp.

Uat.

It's-an-App. You can get it at whatsapp.

Whaddahell's whatsapp?

whatsapp is where you can get What's Up down.

Shit...

Yeah.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Saints&Sinners

...havia um jardim.

No jardim, um casal.

No casal, fé.

Na fé, não havia provas.

Nas provas, havia dúvidas.

Nas dúvidas, havia exigências.

Nas exigências, havia desejo.

No desejo, havia uma busca.

Na busca, havia hipóteses.

Nas hipóteses...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Mea Culpa

Um dia como outro qualquer, e um carinha como outro qualquer acorda.

Rotina diária. Rota: porta-elevador-rampa-rua.

Ordinário. Regular. Como outro qualquer.

A rua se molda. Percepção deleta prédios, e deixa apenas um mercado, uma escola, um banco.

E a Cidade fala com o carinha. Diferente de outras vezes, desta ele escuta.

A Cidade disse "oi".

Ele responde "oi", mas em sua cabeça, ele falou de outra forma. 

Percepção deixa um viaduto aparecer. Atrás dele, prédios altos e uma rua larga. Ainda mais além, o sol nascendo.

Lindo.

O carinha se desculpa. Ele diz à cidade "Eu te amo...", e ela responde "Eu também!", antes que ele possa completar com "...mas o seu povo é difícil."

E a Cidade mostra que o povo e ela são indivisíveis. Ela pede para que não se destrua mais partes dela; já existem remendos o bastante. Ainda assim, ela está feliz. 

Um prédio se desvia por uma esquina, e a rua aparece de surpresa, sorrindo, mais estreita agora. O sol brilha, ignoto, atrás de nuvens em um dia um pouco mais frio que outro qualquer. 

O carinha admira aquele sol escondido. Esperança é como o sol que não se vê, mas mostra luz ali mesmo. 

Com um clichê na cabeça, e um pouco mais de alegria no coração, o carinha chega em uma praça, e vê, do outro lado, o bar e o prédio que a percepção deixou escapar.

A Cidade falou. Ele ouviu. E diante de si, ele mostra como pode as palavras dela. E promete lembrar que o povo é a carne e o sangue da cidade.

Que venha o próximo papo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Corredor da Morte

O último condenado olhou para o corredor. Seus músculos faciais se contraíram, perto dos cantos da boca. Mas não o bastante. E o movimento involuntário se tornou forçado quando não chegou aos olhos.

Caminhou.

Em passos pequenos, limitados, pelas algemas em seus tornozelos, gêmeas das que continham seus pulsos.

Seus olhos, porém, ainda poderiam se  mover, se o pescoço não os acompanhasse. E mover-se foi o que eles fizeram. E viram. E umedeceram. Sem se contrair. Ele evitou piscar. Não queria lágrimas flanqueando seus lábios crispados.

Ele viu a Piada, encolhida no chão, como um feto abortado jogado no lixo.

Ele viu Chiste, batendo a cabeça na parede... pois esse era o único som que ainda lhe era permitido.

Ele viu Sarcasmo, com os lábios e pálpebras costurados.

Ele viu Trocadilho, mesmo que Trocadilho não o visse. Afinal, Trocadilho estava em uma cela de espelhos, onde tudo o que via, era a si mesmo. Literalmente.

Ele viu o Humor, definhando. Este não estava em uma cela. Este era esmagado. Censura era sua algoz.

Ele olhou para Censura. Ela olhou de volta. E o que ele viu nos lábios dela foi a vitória.

Chegando em sua cela, ele chorou, lembrando de Censura sorrindo para ele. Uma mão pousou em seu ombro.

Amargura, parece, era a única que ainda consolava o Riso.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Ordem dos Fatores Não Altera o Produto

O homem condena a mulher porque ________________

A mulher condena o homem porque ________________

O branco condena o preto porque ________________

O preto condena o branco porque ________________

O hétero condena o homo porque ________________

O homo condena o hétero porque ________________

Eu vejo tudo isso e te condeno por ser como ________________, que ________________

Eu faço o que faço e me condeno por ser como você.

sábado, 9 de março de 2013

Gone

Música e palavras.

Imagens e canções.

Rimas e poemas.

A tudo, a gota reflete.

Caminhando, para baixo, e para baixo,

em trilha de pequenos poros,

que perfeitos, tornam imperfeita

uma máscara.

Luz e sombras.

Um reflexo, apenas.

A lágrima cai.

E tudo se foi

Começando outra vez.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

The Big Bang Theory

    Um dia, houve um poeta.

    Ele olhou para o tempo, e se viu do lado de fora.

    Estático ele estava. Extático ele ficou.

    Não havia movimento. Ele percebeu a sensação.

    Com o coração parado, ele contemplou, sem mover os olhos, um átomo de sentimento.

    Amor?

    Ao indagar, sua testa se franziu. Com o movimento, o tempo correu. O instante fugaz passou.

    O universo explodiu.

    Um dia, a mente de um poeta, ainda busca pelo átomo fujão.

    Curioso. Incansável. Em toda parte.

    Menos em lugar nenhum. Enfim.
    Um dia, houve um poeta.

    Ele olhou para o tempo, e se viu do lado de fora.

    Estático ele estava. Extático ele ficou.

    Não havia movimento. Ele percebeu a sensação.

    Com o coração parado, ele contemplou, sem mover os olhos, um átomo de sentimento.

    Amor?

    Ao indagar, sua testa se franziu. Com o movimento, o tempo correu. O instante fugaz passou.

    O universo explodiu.

    Um dia, a mente de um poeta, ainda busca pelo átomo fujão.

    Curioso. Incansável. Em toda parte.

    Menos em lugar nenhum. Enfim.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

00:00 -/-/-

Na praia, o branco se refletia.

Na lua, na espuma do mar, nas vestes, na areia.

Até as estrelas brilhavam brancas.

O céu e o mar estavam escuros.

(era noite, afinal)

Incertezas passadas na memória.

Esperanças futuras nas veias.

Em uma hora mágica, o presente se faz presente.

Passado é esquecido. Futuro deixado em seu lugar.

Perfeição momentânea que não se faz eterna.

(mas que existiu, em cores de preto e branco. Novamente)