"Eu não sou clara. Preto não é minha cor", a jovem disse, entre soluços.
Jovem, como todas as outras. Afinal, uma sombra nasce a cada amanhecer, para morrer no crepúsculo.
"Penumbra" seria outro nome para ela. Filha de luz e trevas, de brilho e escuridão.
Esquecida, rejeitada, por uma e por outra.
Procurada no dia inclemente, preferida à noite total, ainda assim, preterida.
Sombras não são claras. Sombras não são pretas.
Não existe sombra na luz que ofusca, nem na treva que oculta.
Só há penumbra quando há coisas entre coisas entre coisas.
E jogada entre extremos, ela chora.
Ao amanhecer, ela nasce, assustada. Diminui até o zênite. E então cresce, e perece, no poente.
Muda de cor, não como a luz ou a treva.
Acompanha a todos que podem ser vistos, mesmo que não vejam.
No início, é parida. No fim, engolida.
E no meio, vive sombria.