quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Convictus

Cria, sem querer, que
ser humano é
ser eterno, que
ser eterno é
ser divino, e que
ser divino é
ser humano.

Crê, por dever, que
ser humano,
é estar, e que
estar humano é
transitório, e que
transitório
é
temporário.

Por natureza (?)
otimista,
sabe que
temporário
termina e
no fim, estar
humano acaba.

Otimista, que
vê o fim e
crê,
sem querer
em algo além,
cria.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Somnus

De todos os sonhos 
que a mim chegam,
diariamente,
acordado, ou em sono,
prefiro aqueles
irreais,
que se recusam a parecer
com qualquer coisa.

Prefiro aqueles que 
fantasiam,
enlouquecem,
sem confundir,
desvairados,

`aqueles
que fingem verdade,
que mostram tempos idos
ou porvires nunca.

Que desapontam
por esperar demais.

Prefiro os sonhos
que sonham sozinhos,
e me sonham
em devaneio.

Sonhos que nunca esquecem,
mesmo esquecidos, jamais.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Seixos

Sem motivo, caço o amanhã,

e hoje me olha, interrogação

em seus olhos, meio-sorriso

em seus dentes, ontem

ofegante.

Para nada, planejo

contingências

contra não-coisas

aterrorizantes,

enquanto coisas

esperam meu toque

ou recordam

visitas a muito

deixadas.

Noite.

Aurora,

hora,

outrora.

Sigo.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Internet

Adolescente
(indolente)
assiste
(em riste)

Foderem seios
(sem rodeios);

A xota que engole
a pica (nunca mole).
O cuzinho rosa
Que (pisca e) goza.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

domingo, 5 de abril de 2015

Presente


Entre tantos
entretantos,
há tempo de melhorar,
há tempo.

Sobretudo,
sobre tudo,
há tempo de melhorar
a tempo.

Sorrindo,
só rindo,
a tempo de melhorar
a tempo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sem brilho. Nunca escura.

"Eu não sou clara. Preto não é minha cor", a jovem disse, entre soluços.

Jovem, como todas as outras. Afinal, uma sombra nasce a cada amanhecer, para morrer no crepúsculo.

"Penumbra" seria outro nome para ela. Filha de luz e trevas, de brilho e escuridão.

Esquecida, rejeitada, por uma e por outra.

Procurada no dia inclemente, preferida à noite total, ainda assim, preterida.

Sombras não são claras. Sombras não são pretas.

Não existe sombra na luz que ofusca, nem na treva que oculta.

Só há penumbra quando há coisas entre coisas entre coisas.

E jogada entre extremos, ela chora.

Ao amanhecer, ela nasce, assustada. Diminui até o zênite. E então cresce, e perece, no poente.

Muda de cor, não como a luz ou a treva.

Acompanha a todos que podem ser vistos, mesmo que não vejam.

No início, é parida. No fim, engolida.

E no meio, vive sombria.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Bem?

 E tiros.

Golpes.

De hoje,

no ontem,

do adulto,

na criança,

do crente,

no cínico.

E a brincadeira

torna-se séria,

a palavra

fere

o dedo

aponta

e acusa

o Céu.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O Boteco de Lugar Nenhum

A muito tempo, em um lugar hoje distante no passado, inexistente hoje e amanhã, havia um boteco.
Lugar de cônjuges, e de conflitos. De flerte e de força. De sorrisos e saudades.
Saudade hoje, que viaja no tempo, fugindo pela memória, e resgata um lugar que não existe. Do passado ao presente, à memória de amanhã.
Ouvimos ecos. Vislumbramos sombras. Provamos apenas saliva com essência de bebidas que nunca consumimos.
Os ecos riem, distantes, do passado, até a memória futura. As sombras se abraçam, se beijam, se batem. A última silhueta é de um brinde. O último eco, o suspiro de duas taças.
Ontem se foi. Até amanhã.