Durante muito tempo, seus gritos reverberavam.
Nas mídias sociais, principalmente. Gritos contra algo.
Fingindo defesa de valores alheios, atacava valores que,
se parasse para pensar, notaria que permitiam seus gritos.
Gritos que condenavam.
Gritos que proibiam.
Gritos que humilhavam.
Gritos que, sobretudo, feriam.
Seus gritos encontraram coro. E lá, ganharam eco.
Os gritos mudaram o mundo. Silenciaram aqueles que
buscavam apenas falar e pensar e ser.
Gritos se tornaram brados de vitória... e então, choro e dor.
Pois seus gritos acabaram voltando-se contra quem gritava.
Obviamente. Se gritarmos contra direitos, e por proibições,
por tempo suficiente, afugentaremos os direitos que temos,
proibidos que estaremos... até de gritar.
Hoje, seus gritos são mudos. Em uma cela acolchoada,
no fundo de um corredor repleto de soluços, e choro,
seus gritos são uma memória da garganta agora dilacerada.
Uma pena que quem poderia lhe dar voz foi silenciado,
tempos atrás... pelos seus próprios gritos.