sábado, 24 de março de 2012

Away

Em uma janela, um poeta escreve.

Sua caneta, um presente do pai, desenha letras de tinta fresca em um papel.

"Harley", pode ser visto no metal da pena.

Aos poucos, uma imagem se forma.

Mais uma, depois.

Um ritmo sutil as liga... em rimas desencontradas.

Lá fora chove. E uma moto passa.

Um golpe de ar na mão distraída do poeta, e a folha voa.

Sem pensar, ele salta pela janela, chegando à rua. Mas a folha se foi.

Um olhar triste ao redor, enquanto água escorre pelo seu rosto. E um sorriso brilha. Lá está ela, oito passos distante.

Sete passos depois, o sorriso se esvai... como as linhas que se foram, em um borrão, agora, levado pelo vento, deixado pela chuva.

Enquanto retorna para casa, o poeta reflete que não se lembra como terminava aquele poema... e sente falta daquilo que jamais foi.

Em casa, a pena espera. Talvez ela saiba.

4 comentários:

  1. Engraçado isso. Às vezes tenho a sensação de que em vez de ser eu que escrevo o texto, ele que me escreve. Sei que é mó clichezão falar isso, mas realmente acontece. E sei que outras pessoas que escrevem relatam isso. A pena sempre tem algo a dizer, mesmo que a matéria (folha) lhe escape.

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  2. Eu me sinto órfã e inconcolável sempre que um poema me escapa e se perde.
    Bjs, Outono!

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  3. Vejo a pena como o inconsciente,que sempre tem o que dizer. Pena que a consciência tantas vezes o bloqueie...
    Rafa, meus parabéns hoje são especiais: Não só pelo(s) texto(s), mas principalmente pelo dia do seu nascimento. Feliz aniversário!!

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