sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tempo da linha

Ela corria atrás de borboletas.

(Alguns diriam que ela perseguia.
Outros diriam que ela caçava.
Na verdade, ela apenas corria.
Atrás de borboletas)
Outrora, ela fôra velha.
Sem forças para correr.
Seus olhos fracos incapazes
de ver as cores.
(das borboletas)
Agora, ela não se preocupava.
Agora, ela apenas corria.
(Atrás de borboletas)
Sua velhice, sua fraqueza,
ficaram muito, muito
para trás. Em um futuro
abandonado.
Inocente, ela contou.
Perdeu as contas.
Riu, tropeçou, o joelho dói.
Lágrimas surgem em seus olhos,
mas cores a cercam, voando.
Melífluas.
Rindo, ela se levanta e corre.
Atrás dela,
borboletas.

Um comentário:

  1. Adoro a imagem das borboletas, Rafa! A leveza, a suavidade, a beleza, a liberdade, o bailar... Correr atrás das borboletas, para mim, significa buscar tudo isso. Lindo!

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