quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Até

Em uma floresta, uma raposa se encolhia na floresta, no frio.

Havia um caçador atrás dela. Sempre.

Nesse dia, já de noite, a raposa viu o caçador.

E ela sumiu.

O caçador estava sempre lá. Ele sabia que a raposa não podia escapar sempre.

E a raposa também sabia disso.

O que ela sabia mais que o caçador era que ela não tinha medo dele.

Ela sentia falta da floresta.

Do cheiro da chuva.

Do sabor da presa.

Do sol nos pelos.

Do cheiro de outras raposas.

O caçador não imaginava isso. Como poderia a raposa sentir falta do que ela já tinha?

Mas ela sentia. Não se importava com a dor do tiro. Ela já tinha sentido dor antes.

Não se preocupava com sua pele sendo esfolada e vendida. Ela não estaria viva para se importar.

Ela sentia falta do que tinha.

Um dia, ela sabia, a bala viria.

Até esse dia, ela aproveitava a floresta.

Ela corria. Ela comia. Ela dormia. Ela sonhava.

Até aquele dia, ela sorria.

Até mais.

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