No lanche que falta,
em escola de periferia,
um continente com fome.
No senhor que pede um café,
sem dinheiro para voltar para casa,
séculos de desequilíbrio.
No gozo no ombro,
em um ônibus qualquer,
o mundo de nem todos.
Na lágrima do poeta,
sozinho, na janela,
um oceano salgado.
Um lado, de fato.
O outro? A ver.
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